
Era uma vez uma ratita muito presumida chamada Carochinha. Certo dia, quando estava a varrer a cozinha, encontrou algo brilhante. Era uma moeda rara e valiosa. Começou logo a pensar o que poderia comprar com aquela moeda. A ratinha fora educada a economizar e a não esbanjar dinheiro mas depressa se esqueceu dos conselhos sábios dos pais, seduzida pelos luxos e excessos da vida moderna.
"Vou comprar gomas... não, que me doem os dentes. Vou comprar bolos... não, que engordo demasiado. Já sei: vou comprar um laço bonito, para ficar ainda mais atraente." Dirigiu-se de imediato à loja e adquiriu um laço que lhe assentava como uma luva.
Vaidosa como era, escolheu o seu
melhor vestido e foi pôr-se à
janela para ver se arranjava
marido.
- Quem quer casar com a Carochinha, que é formosa e bonitinha?
- Muuuu! Muuuu! - mugiu o boi, com o seu vozeirão forte. - Quero eu, quero eu! Se casares comigo, vais andar o dia inteiro no prado.
- Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite. Contigo é que não quero casar!
O boi afastou-se, ruminando:
Mulher simpática eu quero,
Melhor do que tu, espero.
Como era o primeiro pretendente, não ficou desanimada e continuou a perguntar, desta vez com uma voz mais alegre e ansiedade no coração.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Mal tinha acabado de dizer a última palavra, apareceu o Cão que ladrava de animação.
- Ão, ão! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, tens uma casota toda janota e comida saborosa que me dá a D. Rosa.
- Ai pobre de mim! Que alarido! - queixou-se ela, dando um suspiro. - Com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite. Não, não me serves para marido.
O cão despediu-se, rosnando:
Mulher simpática eu quero,
Melhor do que tu, espero.
Ficou a ver o Cão a afastar-se, com as orelhas baixas e o rabo entre as pernas, e voltou a tentar a sua sorte.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Muito gorducho e envergonhado, aproximou-se o Porco, bem nutrido e bonacheirão.
- Oinc! Oinc!- grunhiu o porco. - Quero eu, quero eu! Sou muito comilão, mas também dizem que sou bonacheirão.
- És muito simpático e pareces ser divertido. Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Também mão me caso contigo.
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Faz o porco grunhir |
O porco despediu-se, roncando: Mulher simpática eu quero, Melhor do que tu, espero. |
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A Carochinha encheu o peito de ar, sorriu e esganiçou-se a perguntar:
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Com peito inchado, penas coloridas e luzidias, candidatou-se o Galo que resolveu cantar para impressionar.
- Cocorocó! Cocorococó! Quero eu, quero eu! Se casares comigo, vais madrugar.
- Galo garnisé, com tanto banzé acordavas-me a mim e aos meninos de noite. E, sem dormir e descansar, íamos passar o tempo a refilar.
O galo despediu-se, cantando:
Mulher simpática eu quero,
Melhor do que tu, espero.
A nossa amiga queria mesmo casar, por isso tinha de continuar.
- Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
Com um miar meigo e a
cauda bem levantada,
aproximou-se o Gato janota a
ronronar.
- Miau, renhaunhau. Quero eu, quero eu! Se gostas de leite, peixe fresquinho e de apanhar banhos de sol nos telhados, então podemos casar.
- Banhos de sol ... talvez, mas leite? Peixe fresquinho? E, com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite! Não, não é contigo que vou subir ao altar.
O gato despediu-se, cantando:
Mulher simpática eu quero,
Melhor do que tu, espero.
Seria possível? Seria assim tão difícil encontrar alguém que não fosse barulhento? Mas foi então que reparou em alguém que se aproximava a passo lento.
- Ióooo, ióooo! Quero eu, quero eu! - zurrou o Burro. - Se casares comigo, não vais dormir ao relento.
- Mas com essa voz, acordavas-me a mim e aos meninos de noite. A minha vida ia ser um verdadeiro tormento.
O galo despediu-se, cantando:
Mulher simpática eu quero,
Melhor do que tu, espero.
Como já era tarde, a Carochinha pensou que seria melhor ir tratar do jantar mas foi então que ouviu chiar.
- Hi, hi! E a mim, não vais perguntar se quero casar?
Com um sorriso de felicidade por encontrar alguém tão simpático e com uma voz tão fininha, a Carochinha perguntou-lhe, com as faces ruborizadas:
- Como te chamas?
- Sou o João Ratão. Queres casar comigo ou não?
A Carochinha mirou-o, avaliando a sua pessoa, e convidou-o a entrar, pois tinham muito que conversar. Ela queria conhecê-lo melhor, pois sabia que, muitas vezes, por detrás de falinhas mansas, estão más intenções. Deste conselho, não se tinha a Carochinha esquecido, não!
A Carochinha depressa se apercebeu que o João Ratão era meigo, compreensivo, divertido e trabalhador. Ficaram muito apaixonados e acabaram por casar. João Ratão mostrou até ser um bom cozinheiro. Enquanto cozinhava, era habitual trautear esta canção:
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Canta com a Carochinha e com o João Ratão. |
REFRÃO
Sim, Carochinha, o João Ratão não vai cair no caldeirão.
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Na história da Carochinha E do marido João Ratão Ninguém entra na cozinha Ninguém cai no caldeirão. |
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Prof. Vaz Nunes - Ovar/Portugal. ©
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